Geração it-babies: o boom da moda infantil de luxo
Como o mercado de roupas chiques para crianças cresceu nos últimos anos e qual o risco de se criar fashion victims mirins
JULIANA DE FARIA29 DE MARÇO DE 2011, 8H02
Basta ela colocar o pé na rua para os flashes estourarem. Paparazzi vivem sedentos por imagens da menina. Seus looks, nunca repetidos, são dissecados por fashionistas na internet: “Onde comprou?”, “Quanto custa?”, “Vestiu bem?”. Poderia se tratar de Blake Lively, Kate Moss, Alexa Chung ou qualquer outra atriz, modelo, apresentadora do momento dona de um guarda-roupa invejável. Mas, no caso, estamos falando de Suri Cruise – fashion victim aos quatro anos.
A filha de Katie Holmes e Tom Cruise chamou atenção internacional quando ainda era bebê de colo. O rosto angelical ajudou, mas como negar crédito às suas roupinhas que mais parecem miniversões de traje de adultos? Casaco de pele falsa, vestido vintage, saia de tule, paetês, estampas, até sapato de saltinho (sob alguns protestos, é verdade) a it-baby já desfilou, sem repetir um modelito. Ela não é a única criança que ganha brinquedos e roupas na mesma proporção – algo impensável para quem cresceu até a década de 1990. Pense em Maddox, Pax, Shiloh e Zahara (do casal Jolie-Pitt), Harlow e Sparrow (Nicole Richie), Jaden e Willow (Will Smith) e Mercy James (Madonna).
Grifes em versão PP
Incentivadas pelo exército de fashionistas famosos em tamanho PP – que servem como outdoors ambulantes – várias marcas de luxo nos últimos anos lançaram suas linhas infantis. Quem começou a brincadeira foi Stella McCartney, em outubro de 2009, com uma coleção feita para Gap Kids (como esquecer o casaco militar azul que imitava o visual dos Beatles na capa do disco Sargent Pepper´s Lonely Heart Club Band?).
Para as grifes badaladas, que sempre voltaram suas atenções para o público feminino, a moda infantil é um ótimo negócio. As peças de crianças custam tanto quanto as de adultos, mas a primeira leva significantemente menos matéria-prima. Ou seja, rentabilidade altíssima. “Outro ponto que ajuda é a alta frequência de substituição”, acrescenta Sílvio Passarelli, diretor do Programa de Gestão do Luxo da FAAP. “Adultos têm uma certa estabilidade corpórea e podem usar a mesma roupa por anos, enquanto crianças passam pelo processo de crescimento e precisam sempre renovar o guarda-roupa.”
Diante de um panorama tão positivo, Gucci, Paul Smith, Issa London, Jean Paul Gaultier e Fendi seguiram o mesmo caminho de Stella, que abandonou as parcerias para inaugurar sua própria linha infantil. A Burberry, que já oferecia roupas de crianças, reforçou sua publicidade: a coleção infantil de Verão 2011 ganhou vídeo e fotos com a mesma qualidade da campanha da Burberry Prorsum. Por aqui, Ronaldo Fraga, Cris Barros, Isabela Capeto e Alexandre Herchcovitch se aventuraram na modinha. Em 2007, Valentino criou uma versão pequenina de uma das bolsas favoritas de Angelina Jolie para que a atriz e sua filha Zahara saissem de parzinho pelas ruas. A gentileza teve grande retorno em marketing espontâneo: fotos da dupla foram parar em jornais, sites e revistas do mundo todo.
DIVULGAÇÃO
A campanha da coleção infantil da Burberry é muito parecida com a da Burberry Prorsum, carro-chefe da marca
Fazer roupas de luxo para crianças é claramente um ótimo negócio para as grifes. Mas é também para os pais? Em quase todos os fatores que se possa analisar, parece estranho gastar 1200 reais em um trench coat Burberry para uma criança que vai perdê-lo em questão de meses. Silvio Passarelli, diretor do Programa de Gestão do Luxo da FAAP, tem duas explicações que vão além do consumismo. “Atualmente, as crianças já começam a fazer parte da vida social da família muito mais cedo. Com um mês, já são levadas a eventos, restaurantes e encontros, de forma que precisam absorver os padrões estéticos da família”, diz.
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Até a década passada, apenas as famílias conservadores atribuíam responsabilidades estéticas aos bebês – por exemplo, no casal príncipe Charles e Lady Di, que sempre mostraram sua prole em roupinhas engomadas. Agora ela se espalha por todos os estilos. Dona de um estilo um pouco rocker e bastante performático, a cantora Gwen Stefani transpõe suas preferências fashion aos filhos Kingston e Zuma: estampas de caveira, camisetas de banda, animal print, jaqueta de couro, cabelos em moicano e até unhas pintadas de preto os pequenos já usaram. Tudo é tão fofinho que as crianças ganham cada vez mais atenção da mídia.Romeo Beckham, filho de David e Victoria Beckham, entrou na lista das celebridades mais bem-vestidas da revista GQ, desbancando nomes como príncipe William e Jude Law.
Consumismo infantil
Mas a nova moda tem seus críticos. A psicóloga Lais Fontenelle Pereira acredita que esse costume é um grande incentivo ao consumismo infantil, o que pode levar a uma “adultização” precoce. “Crianças estão se preocupando com determinadas coisas numa fase que não deveriam”, diz Lais, que coordena a área de educação e pesquisa do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana. “Elas precisam amadurecer brincando e não trocando o guarda-roupa toda vez que surgir uma nova tendência da moda.”
No fim do ano passado, a edição da Vogue Paris assinada por Tom Ford trouxe um editorial polêmico: meninas por volta dos oito anos usavam o combo maquiagem carregada, sapato alto e joia. As fotos, que estavam mais para sensuais do que o gracioso roubei-do-armário-da-mamãe, não foram bem recebidas pelo público.
“Isso é resultado da sociedade do espetáculo”, critica a Lais. “Pode parecer que as crianças hoje são mais maduras, mas não é verdade. O que elas precisam é de roupas lúdicas, coloridas e confortáveis o suficiente para que possam explorar o mundo cheirando, tocando, sentindo, mordendo… E não comprando.”
Há sinais de que a indústria reconhece a importância das roupas de criança com cara de criança. Na última edição da Casa de Criadores, Silvia Ferraz saiu vencedora do projeto Ponto Zero. Ela, que é a primeira estilista de moda infantil a atingir tal reconhecimento, maravilhou os jurados com suas estampas coloridas e sapatos de monstrinhos. “Muitos estilistas de moda adulta resolvem lançar a linha para crianças só para alongar sua marca”, diz Silvia. “Mas a minha marca já nasceu infantil. Não quero criar looks iguais para pais e filhos. Quero fazer roupas que sejam tão divertidas quanto um brinquedo.” Calça com abertura na lateral, luvas que parecem garras de bichos, botões que brilham no escuro são alguns exemplos. “São peças que a criançada vai vestir pela curiosidade e diversão e não para imitar o ator da TV”, afirma.
Contribuição de Tatiane AzevedoLink: http://modaspot.abril.com.br/news/geracao-it-babies-o-boom-da-moda-infantil-de-luxo?page=2
É tudo lindo e dá vontade de comprar tudo para os filhos. Mas, realmente, as crianças não devem ser induzidas ao consumismo.
ResponderExcluireu sou fã da filha do will smith x)
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