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segunda-feira, 23 de abril de 2012


O império do luxo
Adquirir, fundir, concentrar: essa é a regra dos
conglomerados de grifes de luxo, os produtores
de sonhos e lucros igualmente fabulosos. E entre
eles ninguém faz isso com mais brilho do que o
grupo das quatro letrinhas que valem ouro: LVMH

Flávia Varella, de Paris

Anat Givon/AP
MARCA-FETICHEMontagem cenográfica na loja da Louis Vuitton em Hong Kong: roupas, sapatos, jóias, relógios – e, claro, bolsas


Veja também
• Quadro: Os donos do mundo
O perfil da cliente brasileira é bem conhecido na central parisiense da Louis Vuitton: ela cobra imediatamente as novidades lançadas na França, prefere as bolsas grandes e gosta que o monograma famoso esteja bem à vista. Os sapatos de saltos bem altos têm mais saída e as malas são importantíssimas. "É obrigatório ter mala da marca, principalmente se for celebridade", diz o diretor de marketing para a América Latina, o argentino Ricardo Reyes. Espalhada por 52 países, mas com administração cuidadosamente centralizada, a Louis Vuitton conhece a fundo as preferências das clientes de suas 340 lojas, de São Paulo a Xangai, de Hong Kong a Moscou. A grife francesa de malas e bolsas é o modelo por excelência da internacionalização do mercado de produtos de luxo. Nave-mãe do maior grupo mundial do setor, o LVMH, a Louis Vuitton é também o exemplo mais reluzente do sucesso da concentração de várias grifes sob o mesmo comando financeiro. Com um faturamento de 12,6 bilhões de euros em 2004, as cinqüenta marcas que compõem o grupo LVMH geraram um lucro líquido de 1 bilhão de euros – 40% mais do que no ano anterior.
A reunião de marcas-fetiche num mesmo conglomerado é uma fórmula relativamente recente no mundo da moda e do luxo. Os três maiores grupos, LVMH, Pinault-Printemps Redoute (PPR) e Richemont (veja quadro), foram montados há menos de vinte anos. Bernard Arnault, dono e mentor do LVMH, foi o precursor da idéia de fazer do luxo um pólo de atração para o dinheiro caprichoso do mercado financeiro. Sua aparição no cenário da moda transformou o setor de produtos de luxo, até então formado por maisons ainda ligadas ao modo tradicional de produção, fruto de herança familiar, aperfeiçoada por gerações, ou da obra original de um criador genial. O objetivo tornou-se a criação de produtos de excelente qualidade, em grande quantidade, acessíveis ao que seria uma classe média alta em escala global, mas suficientemente raros para conservar a aura de exclusividade e o preço elevado. "Os investidores querem rentabilidade alta e durável. E o luxo, com a idéia embutida de perenidade e seu elevado valor de venda, oferece tudo isso", analisa Pascal Morand, economista e diretor do Instituto Francês de Moda. A essa realidade objetiva corresponderam o que Morand chama de "homens com ambição e perfil para colocar a receita em prática".
Divulgação
PRECIOSIDADENovos modelos de bolsas, com detalhes em pedras semipreciosas, custam o mesmo preço de um pequeno apartamento


Dois franceses encarnam à perfeição esse perfil: o já mencionado Bernard Arnault, do LVMH, e François Pinault, dono do grupo PPR. Ambos são audaciosos, realizadores e, como exigem as boas sagas empresariais, inimigos mortais desde que se engalfinharam pela conquista da marca italiana Gucci. O terceiro concorrente no topo desse mercado é o grupo Richemont, que substitui o charme de um capitão de empresa no comando da operação pela competência anônima de uma equipe profissional baseada na Suíça. As três holdings seguem a tática de não colocar todos os ovos numa única cesta – mesmo sendo uma cesta de ouro e pedras preciosas. O LVMH é o mais focado no negócio do luxo: compreende fabricantes de roupas, perfumes, jóias, relógios e bolsas, e também produtores de vinho e lojas de departamento diferenciadas, como Le Bon Marché e Samaritaine. O grupo Richemont é proprietário da Cartier e da Montblanc, mas sua participação acionária na fabricante de cigarros British American Tobacco rende mais do que as dezoito reputadas grifes sob seu controle. No PPR, pouco mais de 10% do faturamento vem das dez marcas de luxo reunidas no chamado Gucci Group. O grosso sai de redes gigantes como Fnac, Printemps e Conforama.
Foi sem glamour nem estardalhaço que Bernard Arnault entrou no mundo da moda em 1984, ao comprar uma empresa têxtil em dificuldades. A Christian Dior, em banho-maria desde a morte do costureiro-fundador, em 1957, fazia parte do pacote. Três anos depois, Louis Vuitton e a vinícola Moët-Hennessy decidiram se fundir. Mesmo com participação pequena no novo grupo, Arnault invocou os xamãs da reestruturação financeira e conseguiu o comando. Ao longo dos anos 90, lançou-se numa campanha de aquisição sistemática de empresas de nome já consolidado (e finanças nem tanto), com o objetivo de penetrar em vários setores sem os eventuais custos e riscos de criar uma nova grife. Apenas entre 1999 e 2000, amealhou mais de vinte marcas conhecidas. Agressivo e exigente, casado com uma pianista – ele próprio arrisca umas notas no Steinway –, tornou-se o símbolo global do mercado. "As aquisições constantes permitiram ao LVMH atingir a envergadura de número 1 do luxo. Mas depois de 2000, com o luxo em crise, a estratégia mudou e algumas empresas foram vendidas. O objetivo agora é obter alta rentabilidade explorando ao máximo as marcas mais fortes", analisa a professora Nathalie Chappe, especialista em estratégias econômicas.
A entrada em cena das grandes holdings coincide com a internacionalização do mercado do luxo. "É difícil dizer quem é o ovo e quem é a galinha, mas o fato é que hoje a moda está de tal forma globalizada que só as marcas que têm o apoio financeiro dos grandes grupos sobrevivem em grande escala", explica o consultor de moda Jean-Jacques Picart. A foto de ícones da moda como Iman ou Naomi Campbell (que também é garota-propaganda), com bolsinhas maravilhosas penduradas no braço, aparece ao mesmo tempo em revistas do Japão e do México. As bolsas precisam estar disponíveis em várias partes do mundo, ao mesmo tempo, sob o risco de perder mercado, embora deixar um gostinho de espera acirre o fetiche – no Brasil, por exemplo, há atualmente uma fila pelo modelo Denim, a bolsa de jeans lançada em outubro e cobiçadíssima pela clientela. Uma grife de escala mundial custa caro. Com a internacionalização, os custos de comunicação explodiram e hoje chegam a representar entre 5% e 10% do faturamento. "É uma porcentagem similar à de empresas como a Procter & Gamble, que trabalham com produtos de consumo em massa. As maisons que não têm um apoio financeiro estão desarmadas num cenário assim", compara o economista Pascal Morand. Para controlarem melhor a imagem da marca e a qualidade dos produtos, as grandes grifes reduziram os contratos de licenciamento e centralizaram a fabricação de seus produtos, além de optar cada vez mais pela venda em lojas próprias. A racionalização de custos compensa – mas, até chegar lá, tome injeções de dinheiro.
Jennifer Graylook/AP
GLAMOUR VENDENaomi e Iman fazem propaganda: produtos têm de estar disponíveis no mundo todo – mas o gostinho da espera acirra o fetiche


Nesse ramo, todo investimento tem objetivo definido: alimentar incessantemente a imagem glamourosa da marca. É isso que vai fazer com que alguém pague 300 reais numa camiseta que, em tese, pode ser comprada a 30 – ou 3 – em outro lugar. Ou que uma bolsa como o novo e recordista modelo com pedras semipreciosas da Louis Vuitton chegue a custar o equivalente a 76 720 reais – o preço de um pequeno apartamento em São Paulo. A Louis Vuitton trabalha com uma margem de lucro de mais de 45% – e mesmo assim consegue aumentar seus preços. No ano passado, para compensar a diferença cambial entre o dólar e o euro, os artigos com o prestigioso monograma LV tiveram dois aumentos de 5% nos Estados Unidos. E continuaram vendendo. A diversificação de produtos abrigados sob o guarda-chuva da marca-âncora é outro mantra. Centenária no ramo de bolsas, malas e artigos de couro, a Louis Vuitton agora tem também roupas, sapatos, jóias e relógios. Grifes originalmente de roupas hoje obtêm mais da metade do faturamento do ramo de acessórios e de perfumes.
Apesar dos sobressaltos da economia mundial, o império de Arnault sobrevive e se expande. Seu patrimônio pessoal é de 17 bilhões de dólares, a segunda maior fortuna da França. Christian Dior, a grife favorita, explodiu com a chacoalhada que representou, em 1996, a escolha – por Arnault – do inglês John Galliano (veja reportagem). Há quinze anos, a Louis Vuitton tem crescimento anual de dois dígitos. Embora algumas marcas como Donna Karan, Fendi e Givenchy continuem deficitárias, Emilio Pucci, a grife italiana ressuscitada por ele, quadruplicou seu tamanho desde que foi adquirida pelo grupo, e Marc Jacobs, o queridinho das americanas modernas, tem tido taxas de crescimento anual de 20%. "Quando começou, Arnault não conhecia nada da moda", conta o consultor Picart, que tem o manda-chuva do LVMH como cliente. "Mesmo hoje nunca está presente no estúdio de criação. Mas ele pode se gabar de ter mudado o sentido da moda. Ele nos ensinou que não se deve pensar em sucesso de uma coleção, e sim no sucesso de uma proposta comercial de longo prazo." Ou seja, introduziu uma premissa básica do mundo dos negócios no universo dos vendedores de sonhos.

Contribuição de Paula e Marina

A consolidação dos grandes grupos de moda brasileiros

10 DE JANUARY DE 2008 8:42 AM 0 COMMENTS TRANSLATE THIS PAGE TO ENGLISH OR ESPAÑOL
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capa 04 A consolidação dos grandes grupos de moda brasileiros(Istoé Dinheiro)
O assunto que vai dominar as rodinhas na próxima SPFW será o surgimento de grandes grupos de moda que passaram a controlar várias das mais prestigiosas grifes brasileiras. Se vc não conseguiu acompanhar toda a movimentação, aqui segue um resumo que preparamos:
O maior grupo de todos, até agora, é a nova holding I’M (Identidade Moda) que, com o controle de seis grifes importantes (Herchcovitch; Alexandre, Herchcovitch Jeans, Fause Haten, Zapping, Zoomp e Cúmplice) mais uma loja de luxo (Clube Chocolate), tornou-se um dos grupos mais fortes da moda no país, com previsão de investimentos neste ano de R$ 14 milhões para a abertura de novas lojas e R$ 22 milhões no marketing das marcas. Herchcovitch continuará como diretor de criação da Zoomp e das duas grifes que vendeu e como curador criativo de todas as grifes que formarão o portfólio da nova holding.
In Brands, holding formada pelo banco suíco UBS e pelo estilista Nelson Alvarenga, passou a controlar a Ellus , e também promete divulgar em breve a compra de novas grifes –cogita-se que serão Isabela Capeto e Vide Bula. Esta holding deverá fazer um desfile coletivo na São Paulo Fashion Week, em janeiro. Alvarenga será o presidente do conselho da Ellus, que, por enquanto, será controlada por um colegiado. Ele também fará parte do conselho da In Brands, do qual é sócio, com 50%. A estilista Adriana Bozon, mulher de Alvarenga, continuará como diretora de criação da grife.
Artesia Gestão de Recursos, dos empresários Marcio Camargo e Marcelo Faria de Lima, que atuaram no Banco Garantia, adquiriu 51% da grife de roupas Le Lis Blanc. O fundo de investimentoTarpon All Equities comprou 25% da Arezzo S/A, dono da conhecida marca de calçados.
Não se pode deixar de mencionar os grandes grupos já tradicionais: AMC Têxtil, maior grupo de moda da América Latina (faturamento anual de R$500 milhões), que controla a Sommer, Colcci, Carmelitas, Coca Cola Clothing, além da malharia Menegotti, e o Grupo Marisol, que tem 7 marcas: Lilica Ripilica, Tigor T. Tigre, Marisol, Pakalolo, Mineral, Rosa Chá e Sais.
Essas recentes aquisições vão levar as grifes independentes a reverem suas posições. Simplesmente não dá para competir com esses grupos, que têm vantagens de escala, poder de barganha com fornecedores e facilidade de captação de recursos financeiros a custos mais baixos. Em entrevista para a revista Época, a jornalista de moda Lilian Pacce diz que há especulações sobre a possível venda da Forum (Nota: Aconteceu em Março/2008. Saiba mais.), Triton, Osklen, Tereza Santos, e Lenny e Cia. A Iódice não está na lista, mas acho que também está na linha de tiro.
Fontes:
Contribuição Sofhia Miguel

Virada na passarela

Holding compra grifes famosas e traz padrões de gestão para a moda

Depois do surgimento de uma nova geração de estilistas e da consolidação das semanas de moda nacionais, o mundo fashion no Brasil começa uma nova etapa em 2008: a da gestão profissional. Na semana passada, o grupo HLCD anunciou a aquisição de quatro importantes marcas (Fause Haten, Cúmplice e Herchcovitch; Alexandre e parte da Clube Chocolate) e a criação de uma holding chamada Identidade Moda (I’M) para gerir as grifes do grupo. Em 2006, eles haviam comprado a Zoomp e a Zapping.

“Nossa visão é a fotografia de um guarda- roupa, plural e diverso”, diz o presidente da Zoomp, Vicente Mello, que está à frente do processo. O objetivo é ter 12 marcas até 2009, investindo em segmentos nos quais eles ainda estão ausentes, como moda praia, casual, acessórios e masculina mais tradicional. Corre no mercado que eles estão de olho nas grifes Crawford e Siberian, do grupo Valdac. Segundo Mello, preservar a identidade de cada marca é o mantra que rege a empresa – e a música que seduziu os estilistas donos das grifes.
“Muitas vezes fui procurado por pessoas ou grupos que me ofereceram investimento financeiro, mas isso nunca me interessou”, diz Fause Haten, que começou a negociar com a I’M há seis meses. “Desta vez me propuseram gestão e know-how. Eles trarão profissionais das áreas financeira, produto, varejo, atacado, e eu continuo na direção criativa, que é o que faço hoje e o que sei fazer.” Há sete anos, Fause profissionalizou a grife e contratou um gestor. Alexandre Herchcovitch também continuará respondendo pela criação da Herchcovitch; Alexandre, sua linha principal, da Herchcovitch Jeans, e da Zoomp. O estilista – escolhido uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil neste ano (leia mais à pág. 61) – acredita que o grupo irá injetar um capital que ele levaria décadas para conseguir. De imediato, sua próxima coleção irá contar com 700 itens em vez dos 250 inicialmente previstos.
O mercado brasileiro passa por um processo de consolidação semelhante ao que ocorreu na Europa na década passada. No Brasil, os primeiros negócios começaram a surgir há dois anos. A Rosa Chá foi comprada pela catarinense Marisol; o grupo BR Labels controla a VR Menswear, a Mandi e a Calvin Klein no Brasil; a AMC Têxtil é dona da Colcci e da Carmelitas. No mês passado, a Ellus, de Nelson Alvarenga, passou para as mãos do banco suíço UBS. Eles criaram a holding In Brands, que, em breve, deve anunciar mais aquisições. No mercado, as fichas estão sendo apostadas em Isabela Capeto e Vide Bula.
Europa é o exemplo
Sucessivas aquisições iniciadas nos anos 90 na Europa deram origem a poderosos conglomerados mundiais de moda e artigos de luxo. A mais poderosa das holdings é a francesa LVMH. Fundada em 1987, responde por 60 grifes entre itens de moda, perfumes e bebidas, possui 1.800 lojas e emprega 64 mil funcionários. Sua principal grife é a Louis Vuitton, que há mais de 15 anos registra crescimento na casa dos dois dígitos.
Emilio Pucci, marca ressuscitada pelo conglomerado, quadruplicou de tamanho, e Marc Jacobs, o queridinho das americanas modernas, cresce 20% ao ano. Porém, grifes adquiridas nos últimos anos como Donna Karan, Fendi e Givenchy seguem deficitárias. Outros dois grupos europeus disputam os endinheirados: PPR (Pinault-Printemps- Redoute), da Gucci, Balenciaga, Yves Saint Laurent, e Compagnie Financière Richemont, da Cartier.

Contribuição de Natalia e Barbara


Moda brasileira quer brilhar além das passarelas

Grifes brasileiras voltam a ser assediadas pelos investidores; processo de profissionalização, marcado por turbulências nos últimos anos, persistirá

Beatriz Ferrari
Modelos no backstage da marca Zigfreda durante o SPFW
Marcas brasileiras voltaram a ser assediadas por empresas e fundos de investimento (Mauricio Lima/AFP)
Já dizia a consultora de moda Glória Kalil: “a moda brasileira brilha, mas não vende”. Por muito tempo, especialistas em gestão de moda reclamaram que o burburinho provocado pelos dois principais eventos do setor no país – o São Paulo Fashion Week e o Fashion Rio – era desproporcional ao volume de negócios que geravam. Nos últimos quatro anos, contudo, o segmento começou a se mostrar como uma possibilidade interessante de investimento. O melhor retrato disso foi a grande movimentação de aquisição de grifes, sobretudo em 2008, que marcou o início do processo de formação de grupos empresariais de moda (veja quadro). Essa tendência – que teve altos e baixos no período – não sofreu reversão e deve se intensificar. Consultores com bom trânsito no setor informam que marcas como Animale e Victor Hugo têm sido assediadas por empresas e fundos de investimento nacionais e estrangeiros. Já a Malwee, grande malharia do sul do país, avalia a possibilidade de lançar ações na bolsa, relatam fontes do site de VEJA. A empresa nega.
Este movimento de profissionalização tem sua lógica. O aumento das taxas de emprego e renda, associado à ascensão da classe média, torna tudo o que é ligado a consumo no Brasil naturalmente atrativo. Soma-se a isso o fato de que as pessoas querem, cada vez mais, adquirir produtos que ‘costuram’ qualidade, beleza e glamour. Pesquisa do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI) aponta, por exemplo, que só o varejo de vestuário movimentará 146 bilhões de reais neste ano, um crescimento de 60% ante 2007. Do ponto de vista das grifes, a associação com uma companhia capitalizada também é uma saída natural. Essas marcas – que geralmente nascem do talento de um estilista ou de um grupo deles – começam a ter, à medida que crescem e ficam famosas, problemas de grande empresa. Como não são ‘experts’ em temas complexos, como distribuição, política de vendas e engenharia financeira, os estilistas passam a ver com bons olhos a possibilidade de entregar essa parte do negócio a quem é especialista no assunto, o que lhes garante recursos para expandir lojas, exportações, etc.

Os grandes nomes da moda no país

Conheça as empresas que estão por trás de famosas marcas brasileiras
(Clique nos números ou nas abas para navegar)

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InBrands

O empresário Nelson Alvarenga é fundador da Ellus e sócio da InBrands
Criada em 2008, a holding InBrands é fruto da associação entre a gestora de recursos Vinci Partners, do banqueiro Gilberto Sayão, e a Ellus, do empresário Nelson Alvarenga. A expectativa na época, segundo consultores ligados à empresa, era adquirir novas marcas e assim faturar 1 bilhão de reais neste ano. Os planos, no entanto, não se concretizaram. A InBrands faturou 530 milhões de reais no ano passado e a previsão revista para 2011 é de 800 milhões de reais.
A avaliação dos especialistas é que, no início das operações, a holding comprou grifes com imagem sólida, voltadas ao público AB, mas não necessariamente com estrutura comercial organizada e volume de vendas adequado a seus objetivos. “No começo, a  InBrands não comprou marcas, mas sim promessas”, afirma o consultor em gestão de moda Silvio Chadad. Além da Ellus, a Inbrands adquiriu em 2008 as grifes Isabela Capeto e Alexandre Herchcovitch, além de uma participação na Luminosidade – organizadora do São Paulo Fashion Week e do Fashion Rio.
Nos últimos anos, tornou-se evidente certo descompasso entre os objetivos do grupo e das marcas. “A InBrands precisa entender que essas marcas não são como a Hering, que tem capacidade de produção elevada”, explica o consultor Carlos Ferreirinha, especialista em mercado de luxo. As divergências internas teriam causado a saída, em maio, da estilista Isabela Capeto.
Há sinais, entretanto, de que a holding já começou a fazer escolhas acertadas. Em 2010, a InBrands anunciou a associação com a Cia das Marcas, que é dona da Richards e da Salinas, ambas grifes muito bem estruturadas. Em fevereiro, fechou parceria com a BR Labels e adquiriu 100% do capital da VR Menswear e Vr Kids. No mês passado, formalizou junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a intenção de abrir capital.
Portfólio de marcas
Ellus
2nd Floor
Alexandre Herchcovitch
Cia das Marcas (dona da Richards, da Salinas e da Bintang)
BR Labels (dona da VR MenswearVR Kids e Mandi)
Luminosidade (organizadora do SPFW e do Rio Fashion)
O fato de ser uma aliança natural, no entanto, não quer dizer que seja fácil. Ao contrário, o processo de profissionalização em curso tem sido marcado por percalços. De 2008 para cá, mais estrondosos que os anúncios de acordos milionários no segmento foram os desentendimentos entre investidores e estilistas (confira a movimentação do setor). A I’m, por exemplo, que nasceu naquele ano como grande holding da moda e que tomou para si a condição de símbolo dos novos tempos, só durou até 2009. Segundo especialistas, o quadro turbulento é fruto da própria falta de amadurecimento do mercado. Por um lado, investidores deixaram-se levar, nos últimos anos, pela euforia e acabaram se associando com marcas com problemas sérios de gestão. Por outro, criadores assinaram os contratos sem ter muita noção do papel que deveriam desempenhar na nova fase da marca. A grande fonte de desentendimento, aliás, foi o fato de ambas as partes terem se associado sem absoluta clareza prévia de todos os detalhes do negócio.
No exterior, por outro lado, o primeiro conglomerado de moda bem-sucedido, o francês LVMH, dono da marca Louis Vuitton, formou-se ainda na década de 1980. “O setor está passando por um bom momento no Brasil, mas a maior parte das empresas, a despeito de sua visibilidade, enfrenta dificuldades de atrair capital. É que muitas delas são ainda bastante informais e não têm planos de negócios claros”, explica o consultor Carlos Ferreirinha, especialista em mercado de luxo. Isso evidencia que a tão esperada profissionalização ainda não chegou ao patamar esperado. “Os estilistas estão começando a ver só agora a importância de uma gestão comercial bem estruturada”, explica o consultor em gestão de marketing de moda Silvio Chadad. Em resumo, o Brasil ainda tem um processo de amadurecimento pela frente. Mas os especialistas são unânimes em aportar que esse processo é irreversível e deve se aprofundar. “O capital está aí. Só falta o mercado se profissionalizar”, resume o estilista Amir Slama.

Contribuição de Natalia e Barbara

domingo, 22 de abril de 2012


Conglomerados de moda e seus faturamentos

Os conglomerados de luxo são megaempresas que reúnem as marcas mais desejadas da moda: Prada, Gucci, Dior, Louis Vuitton… Todas fazem parte de um império que se preocupa em vender sonhos de consumo.
Mas qual a função dos conglomerados? Com a moda cada vez mais globalizada, os designers precisam de parcerias milionárias para produzir mais e distribuir para todas as partes do mundo. É tudo muito diferente da época em que havia sempre um personagem forte, de carne e osso, por trás da grife, como Gabrielle Chanel e Christian Dior. Eles estavam à frente de tudo: criação, estilo, negócios, costura e modo de vida dos clientes. Desde que o dinheiro tornou-se a alma do negócio, são os bilhões desses impérios que permitem a produção de lucros tão fabulosos quanto às criações. Marcas históricas como Pucci, Yves Saint laurent e Louis Vuitton continuam desejadas e ativas no mercado graças aos investimentos destes grupos.
Os três gigantes mundiais são os seguintes: LVMH, Pinault-Printemps Redoute (PPR) e Richemont. Todos eles foram concebidos há menos de vinte anos, ou seja, estamos lidando com um movimento de negócio relativamente novo.

LVMH:
O maior holding de artigos de luxo do mundo é o LVMH (Louis Vuitton – Moët Hennessy), comandado pelo ultrapoderoso empresário francês Bernard Arnauld. Seu patrimônio pessoal é de 17 bilhões de dólares, a segunda maior fortuna da França. Sua idéia precursora foi de tornar o luxo um mercado cujo objetivo fosse a venda de produtos de excelente qualidade, em grande quantidade, acessíveis ao que seria uma classe média alta em escala global, mas suficientemente raros para conservar a aura de exclusividade e o preço elevado.
O LVMH engloba diversos segmentos do negócio do luxo, compreendendo fabricantes de roupas, perfumes, joias, relógios e bolsas, e também produtores de vinho e lojas de departamento diferenciadas, como Le Bon Marché e Samaritaine. Em seu portifólio, estão marcas como Moët Chandon, Hennessy, Louis Vuitton (que há 15 anos apresenta crescimento anual de dois dígitos), Fendi, Givenchy, Kenzo, Marc Jacobs, Loewe, Donna Karan, perfumes Dior, E-luxury e a fantástica rede de cosméticos Sephora.
O grupo LVMH registrou faturamento de 4,5 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2010, e crescimento de 13% em relação ao mesmo período em 2009.

PPR:
Outro peso pesado da moda é o grupo PPR, comandado por François Pinault. A holding é dona de marcas como Balenciaga, Bottega Veneta, Alexander McQueen, Stella McCartney, YSL, Puma, Fnac e Printemps.
O faturamento no primeiro trimestre de 2007 foi de 4,44 bilhões de euros, 5% a mais que no mesmo período de 2006.

RICHEMONT:
O grupo suíço Richemont, comandado desde 1988 pelo sul-africano Anton Rupert, detém 16 marcas em sua cartela, entre elas: Cartier, Van Cleef & Arpels, Montblanc, Alfred Dunhill e Chloé, além de uma participação estratégica na British American Tobacco, que rende mais do que as demais grifes sob seu controle.
Seu faturamento em 2008 foi de 5,3 bilhões de euros, 4,82 bilhões registrados em 2007. Desse total, € 237 milhões são referentes à América do Sul.

OUTROS GRUPOS:
Menores, mas não menos notáveis, são os grupos Premira, que recentemente adquiriu a Valentino; o discreto Mini-Holding da família Wertheimer, com 100% da Chanel, Eres Lingerie, Tanner Krolle, Holland & Holland e alguns fabricantes de vinhos; o grupo Prada, que também inclui Miu Miu e Car Shoe; o conglomerado Phillips Van Heusen com Calvin Klein, Michael Kors, Kenneth Cole, BCBG, Speedo e Geoffrey Beene; e ainda o grupo da Diesel, que além da marca homônima ainda possui a Maison Martin Margiela, Dsquared e Sophia Kokosalaki.
Fontes: Cool Magzine e Veja

Contribuição de Andréia, Maria clara e Maria do Carmo

Conheça as marcas que estão mudando o mercado da França

Campanha Inverno 2011 da Maje ©Divulgação
Pense nas marcas que dominam o mercado francês de moda. Lembrou de Chanel, Dior, Givenchy, Lanvin, Balenciaga, Yves Saint Laurent e companhia? Pense de novo. Afinal, as grifes acima gozam de indiscutível prestígio e influência dentro da indústria fashion, mas quando o assunto é o desejo da massa consumidora francesa, as marcas que realmente têm se destacado são outras. Nomes pouco conhecidos por aqui como Zadig & Voltaire, Comptoir des Cotonniers, Sandro, Maje, Claudie Pierlot e The Kooples têm ganhado força nos últimos cinco anos e chamado (se não exigido) a atenção da indústria – um artigo publicado no fim de 2011 pelo “The Business of Fashion” chegou a definir essas marcas como “uma onda francesa contemporânea de grande sucesso que está redefinindo o ready-to-wear como nós o conhecemos”.
Um indicativo da força e da atenção que essas marcas têm gerado é o interesse demonstrado recentemente por grandes grupos de investimento: em setembro de 2010, as famílias Arnault (da LVMH) e Dreyfus adquiriram 51% do SMCP Group, dono da Sandro, Maje e Claudie Pierlot que opera mais de 330 pontos de venda na França e em países vizinhos, e que apresenta um crescimento anual de 30%. Outro exemplo da escalada comercial desse nicho? O volume de negócios da Sandro, que em 2007 girava em torno dos 15 milhões de euros, saltou para 110 milhões em 2010 e tem estimativa de atingir quase 200 milhões de euros em 2011.
Mas o que explicaria tamanho sucesso? De acordo com o mesmo artigo do “The Business of Fashion”, seria uma série de estratégias em comum, como a produção a baixo custo em países como Turquia, Tailândia e China; o monitoramento preciso das vendas para imediata identificação das demandas do consumidor; e a abertura do maior número possível de pontos de venda (só em Paris, a Zadig & Voltaire, Comptoir des Cotonniers, Sandro, Maje e The Kooples têm mais de 30 pontos de venda cada!). Combinado a esses elementos, que valem igualmente para as redes de fast-fashion, o que diferencia o nicho das “marcas médias” francesas é a estratégia de criação de uma imagem mais voltada para o mercado de luxo: vale abrir lojas ao lado de grifes como Fendi, Chanel e Dior; trabalhar somente com vendedores altamente treinados; e investir em estilistas criativos que sabem fazer roupas que capturam as tendências do momento, mas sem copiar – o trunfo dessas marcas, afinal, é criar um estilo genuíno e altamente desejável.
Com o sucesso no mercado francês, é natural que esses nomes estejam de olho na expansão internacional. Além de países vizinhos, a Sandro, Maje e The Kooples devem seguir o caminho traçado pela Comptoir des Cotonniers e Zadig & Voltaire e abrir lojas próprias nos Estados Unidos já em 2012. Na análise do “The Business of Fashion”, esse nicho de marcas, com suas roupas desejáveis e preços acessíveis, poderia até tomar o lugar do ready-to-wear de grandes grifes – a Carven e a Kenzo, com suas recentes revitalizações de estilo e preço, foram apontadas como reflexos desse novo momento do mercado de moda. Se essa tendência realmente vai pegar no resto do mundo, só o tempo dirá; mas enquanto isso, vale conhecer as marcas que estão mudando o cenário de moda francês. (Note como elas investem na estratégia online: todas, exceto a Claudie Pierlot, possuem sites internacionais e mantém e-commerce – apesar de que, infelizmente, nenhuma faz entregas no Brasil).
Lookbook Inverno 2011 da Zadig & Voltaire ©Divulgação
Zadig & Voltaire
“A ideia original por trás da Zadig & Voltaire é criar um novo luxo. Desde o início, a Zadig & Voltaire se auto-estabeleceu como uma “concept store designer” à frente de seu tempo. A Zadig & Voltaire é um sopro de ar fresco, uma fábrica de sonhos, uma produtora de designs (…) Meu desejo é também criar uma marca francesa e uma rede específica de distribuição” – descrição de Thierry Gillier, fundador da marca, no site oficial.
Campanha Inverno 2011 da Comptoir des Cotonniers ©Divulgação
Comptoir des Cotonniers
“Desde sua criação em 1995, a Comptoir des Cotonniers tem criado coleções que combinam modernidade com elegância atemporal. (…) [Ela] inovou ao trazer suas coleções à vida com mulheres anônimas: pares reais de mães e filhas que representam os valores da marca com entusiasmo e prazer” – descrição do site oficial.
Campanha da Sandro ©Divulgação
Sandro
“A Sandro nasceu em 1984 e abriu sua primeira loja na Rue Vieille du Temple no coração de Marais. Ela cresceu e se tornou uma marca conhecida por seu estilo feminino e versátil. Hoje, a Sandro tem uma grande comunidade global com 202 lojas ao redor do mundo. (…) A paixão por moda e estilo compartilhada por mãe e filho é claramente representada nas coleções effortless e complementares que eles desenham” – descrição do site oficial.
Campanha Inverno 2011 da Maje ©Divulgação
Maje
Não possui descrição da marca no site oficial.
Campanha Inverno 2011 da Claudie Pierlot ©Divulgação
Claudie Pierlot
Não possui descrição da marca no site oficial.
Looks da The Kooples ©Divulgação
The Kooples
“A The Kooples está trazendo o chic de volta à ruas, vestindo homens e mulheres em roupas atraentes, com estilo emprestado de ícones da moda e com um amor pelo vintage” – descrição do site oficial.

Contribuição de Edmara